domingo, 26 de janeiro de 2014
pai
é muito difícil não gostar do próprio pai. por inúmeras questões isso desencadeia. não é possível explicar exatamente. penso que tenha a ver com a intimidade, a falta dela. e toda uma infância disso. o pai é um homem desconhecido, que tem que ser ver uma vez por semana. e que tem vícios, e tem toda a coisa do pai perfeito que vendem pra gente. e os pais das nossas amigas, que são trabalhadores e leais. é difícil se separar do pai antes da fase oral terminar. não se entende. mas se entende inconscientemente que aquele pai não serve pra nada, como homem. como marido, como pai. é difícil construir a dimensão do ser que o pai é. porque os pais são os pais, as mães também. os irmãos são diferentes, eu acho. mas eles vêem ao mundo com essa função: de responsável, cuidador, facilitador. eles ficam em blocos separados no sentir. o ser só acontece quando estamos mais velhos. mas uma infância deturpada constrói um ser igualmente deturpado. privado das suas funções primárias. mas o pai que é solitário e cheio de problemas e dramas, quer seu amor. não é possível amar. nem pelo ser, nem pela paternidade. e daí, não se saber o que faz. o pai quer que você o ame. você não sabe como fazer isso.
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