era rechonchuda e os peitos também, abre as penas, eu disse, eram juntos, bonita. arfava. enfiei dois dedos. movi-os conforme dizia os caminhos da vulva. a vulva toda é um mapa-múndi.
é, sim.
visitei com a língua os países periféricos, danados, um pouco mais sujo, ocultos. mas não omissos. deles, saiu delas gritos. era agudo e perfeita melodia. um hino louvado de gemidos. descansei e enquanto descansava ela me retribuía.
não descansei.
seus peitos são duas coisinhas lindas, disse ela antes de afogar a cara neles e enquanto em mim se divertia, gozou mais uma vez. que mulher poderosa. ela dizia quando seus pézinhos começam a tremer eu já me molho toda, amo seu orgasmo.
sorri tímida, porém. ás vezes não gostava da obrigatoriedade do orgasmo. mas ela era toda quente e periférica, verdadeira caçadora da catarse absoluta. você sabe que isso não existe, não é meu anjo. ela enfiou meus dedos por entre as pernas e disse, mas é isso que é. adormeci não antes de olhar o reflexo da luz da lua nos lençóis um pouco estranha daquela definição de catarse absoluta.
sonhei a noite inteira que lhe enfiava os dedos eternamente, o tempo espiralava, as décadas passavam, meus cabelos ficavam brancos, os dedos talvez enrugados, e os dedos ali, dentro da vulva, entre o clitóris e a vagina, explorado o mundo todo, sabendo-se todos os segredos, e ela ali; em catarse permanente.
é, possível querida, a permanência de meus dedos no teu interior, a eterna catarse? perguntei-lhe no insosso café da manhã e ela achou graça e foi-se trabalhar. não será, disse eu aos meus dedos enrugados. o trabalho nos salvará da catarse permanente, sorri aliviada, enquanto a louça esfregava. graças a deus que os homens o inventaram.
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